Toda a gente tem um hobbie. Uns têm caezinhos aos quais vestem roupinha, outros tiram fotografias de personagens estranhos, outros ainda ouvem música até ficarem surdos. Mas uma coisa que todos têm em comum – pelo menos para a maioria silenciosa de procrastinadores – é que a produtividade do hobbie aumenta quando as responsabilidades aumentam.
Sim, é uma verdade de La Palice. Suponho que a definição de hobbie inclua “actividade que agrada ao executor” e tendo em conta que muitas vezes só queremos fugir de determinadas situações, o hobbie (sim, vou repetir a palavra muitas vezes, podem entreter-se a contar – Olha! um novo hobbie!) é, por assim dizer, o escape ideal.
O maior perigo é quando julgamos que de facto poderemos viver do hobbie! E hobbies produtivos como crafts são muito dados a esse tipo de pensamentos. Mas para quem já foi, ou conhece crafteiros, sabe que a maior parte das vezes as coisas que são feitas (e bem feitas!) não têm em conta utilidade, e muito menos terão em vendabilidade, mas tão só o inigualável prazer de obra feita. No entanto, porque não passar a vida a fazer camisolas de tricot? Porque não ficar em casa a produzir em vez de ir para o emprego entediante? São perguntas que assaltam todos os dias crafteiros por todo o país e mesmo pelo mundo fora!
Eu sou uma crafteira, mas sei os meus limites e quando sonho com novelos de lã gigantescos a rebolarem, qual calhau redondo num Indiana Jones, sei que o melhor é parar.

E o gostinho de ver o projecto acabado…? É como um vício: “Porque é que ninguém me disse que isto ficava para sempre?”


