Arquivo de Março, 2007

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A história de um fenómeno – ou o início e declínio de uma moda

Março 20, 2007

Um dia, “zé”, aquele fulano carismático que todos conhecemos de uma forma ou de outra, acorda de manhã com uma vontade súbita de passear. Como o Sol está forte lá fora, e os bonés estão todos de molho ou demode, decide recorrer ao seu par de boxers favorito – com desenhos de sorvetes multicolores – e envergá-los orgulhosamente na cabeça.

Ao chegar café onde todos os dias costuma comer um bolo de arroz e um galão, o Sr. Miguel, após lhe aviar o “costume” pergunta-lhe o porquê de semelhante gesto. Zé revela então que o simbolismo dos boxers na cabeça remonta a toda a sexualidade metafísica produzida pela cabeça e que nos controla. O usar roupa interior, que de uma forma convencional protege as partes íntimas na cabeça é uma forma de luta contra a opressão gonadal e um grito do ipiranga moderno contra toda uma indústria focalizada em nos fazer sentir inadequados para uma relação.

Miguel pondera e repara que curiosamente este acto isolado está a atrair a atenção de muita da sua clientela, e que zé até já conseguiu meter conversa com algumas clientes, entre elas a Idalete, uma solteira trintona por quem Miguel se sente atraído, mas nunca conseguiu maior intimidade do que segredar-lhe que os croquetes que ela pediu eram d’ontem. Zé, relaxado por ter conseguido explicar o porquê dos boxers, sem ter de admitir que não lavava a sua roupa a tempo e horas, seguiu no seu passeio e transmitiu os seus ensinamentos a todas as pessoas que o interpelaram.

No dia seguinte, o boné favorito de Zé, um clássico azul com um coração e as letras NYC (“New York City” – onde nunca tinha estado) já não estava encardido, e então resolveu arrumar os seus boxers na gaveta e sair com o seu look regular.

Ao chegar à sua porta da rua é interpelado pelo carteiro, que lhe entrega a sua correspondencia com um sorriso, e comenta como foi porreiro os lagartos terem dado uma coça nos dragões. Zé não lhe consegue responder porque não consegue tirar os olhos do bonito par de trousses às bolinhas na sua testa.

 A caminho do trabalho, zé passa por 2 bancas de venda de tangas ergonómicamente corrigidas para um maior conforto da testa, e boxers com suportes interiores em fibra para não estragar o penteado e no autocarro 125 ouve duas teenagers a comentar como uma boysband genérica tinha criado este fenómeno, e até tinham algumas músicas sobre isto.

 Perto da entrada da fábrica está Carlos, amigo de infancia de Zé a quem este já tinha salvo a vida num acidente na ribeira, que tapava a testa, orgulhosamente, com um conjunto de ceroulas laranja. Ao ver Zé a olhar de lado para o seu estaminé, perguntou-lhe o que é q ele tinha contra os “roupainterióticos” – a tribo urbana mais cool do momento.

Zé, sem querer parecer bota de elástico disse: “ah, eu já fui um roupainterióticos quando a temática ainda era pura, agora isso é só para a carneirada imitadora. O que a malta realmente cool usa agora são palmilhas penduradas atrás das orelhas e tudo o resto é para mariquinhas com mania”.

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Implícidades

Março 19, 2007

relogio.jpgO pensamento lógico é uma das coisas de que me gosto de gabar.

O detectar padrões pouco óbvios, usar silogismos como ferramentas de procura de verdade são coisas que me divertem e que conseguem ocupar-me a cabeça, mesmo nas alturas mais chatas.

No entanto às vezes pequenas coisas, que estão à vista de todos, passam-me ao lado até ao momento eureka, em que lhes tomo consciência. Na maioria das vezes são coisas sem importância, como as diferentes tonalidades de azul do céu, os metais serem extraídos da terra e outras tantas inutilidades. Raramente algo realmente interessante, que me deixe a pensar mais do que breves instantes.

A última vez que aconteceu foi a minha consciencialização de que o tempo realmente é dinheiro, não na sua concepção mais corrente, de que perder tempo com alguma coisa é estar a perder dinheiro, mas a diametricamente oposta - gastar dinheiro é gastar tempo.

Tempo que já foi gasto préviamente, é certo, mas tempo de qualquer maneira.

Isto adquire proporções ainda mais avassaladoras se vivermos por conta de outrém. Aqueles ténis novos são 3 horas de vida de “alguém”. Três horas em que não passeou na praia, bebeu daiquiris, deslizou pela sala num tango ou muito simplesmente não fez nada e para ficar a vegetar como numa típica tarde de Domingo.

O tempo de vida vai sendo “queimado” aos poucos, sem que se dê conta.

Qual é o preço do minuto? Será que vale a pena?

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Bem vs. Mal?

Março 1, 2007

Recebam este cartão e ponham uma cruz na linha da vida: 

  • A Clara era uma menina bem comportada, acostumada às suas coisas e cuja vida social não era frenética (o que para ela era tanto melhor). Certo dia, chegou um pedido de ajuda velado em forma de convite. A Clara é comodista e a vida social agitada não lhe agrada e decide não aceder ao convite e continua a sua vidinha do costume.

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ps. – para quem não percebeu isto é uma referência ao filme Donnie Darko.