
Implícidades
Março 19, 2007
O pensamento lógico é uma das coisas de que me gosto de gabar.
O detectar padrões pouco óbvios, usar silogismos como ferramentas de procura de verdade são coisas que me divertem e que conseguem ocupar-me a cabeça, mesmo nas alturas mais chatas.
No entanto às vezes pequenas coisas, que estão à vista de todos, passam-me ao lado até ao momento eureka, em que lhes tomo consciência. Na maioria das vezes são coisas sem importância, como as diferentes tonalidades de azul do céu, os metais serem extraídos da terra e outras tantas inutilidades. Raramente algo realmente interessante, que me deixe a pensar mais do que breves instantes.
A última vez que aconteceu foi a minha consciencialização de que o tempo realmente é dinheiro, não na sua concepção mais corrente, de que perder tempo com alguma coisa é estar a perder dinheiro, mas a diametricamente oposta - gastar dinheiro é gastar tempo.
Tempo que já foi gasto préviamente, é certo, mas tempo de qualquer maneira.
Isto adquire proporções ainda mais avassaladoras se vivermos por conta de outrém. Aqueles ténis novos são 3 horas de vida de “alguém”. Três horas em que não passeou na praia, bebeu daiquiris, deslizou pela sala num tango ou muito simplesmente não fez nada e para ficar a vegetar como numa típica tarde de Domingo.
O tempo de vida vai sendo “queimado” aos poucos, sem que se dê conta.
Qual é o preço do minuto? Será que vale a pena?
Pensando bem…até fazia mais sentido dizer que “dinheiro é tempo” e não o contrário…
Podemos gastar tempo sem gastar dinheiro, mas não há dinheiro que não seja gasto sem que o tempo esteja a passar…ou, caso se viva por conta de outrém, sem que essa pessoa tenha “gasto” tempo para nós.
Gosto do blog, está muito giro.
Keep on writing!