Arquivos para a Categoria ‘Uncategorized’

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Folia!

Setembro 1, 2007

Sejamos “foles vazios e livres de tudo e de nós mesmos.”

Gostava de ser assim. Um folião, um tolo, um louco talvez. Voar ao sabor do vento e do ambiente. É a única forma de viver.

Mas não sou nem serei.

Por uma noite pensei que conseguisse ser mas nem um luar num dos lugares mais bonitos soube aproveitar.

Culpas? De ninguém… Ou minhas… Ou das circunstâncias.

Razões? Continuo à procura de botão de reset que não encontro, nem encontrarei.

A vida não é um jogo nem uma alegria, é apenas uma vida no meio de biliões de outras que se sucedem num ritmo constante.

Só aqueles que conseguem esquecer isto, conseguem viver a vida realmente.

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S. Jorge

Junho 25, 2007

Ontem estive com pessoas. Toda a gente sabe que não sou uma pessoa de pessoas mas estive com elas. Foi bom.

Gosto de ver pessoas, isso sim! Olhá-las, ouvi-las de longe. Ver as suas acções, reacções, empatias e discórdias, como se fosse um filme animado. Tentar adivinhar o que acontece a seguir. Não ter de fazer um esforço para iniciar uma conversa ou distribuir sorrisos benevolamente. Não é que antipatize com as pessoas (o contrario já não garanto…), simplesmente prefiro não gastar energias a tentar obter reacções de pessoas quando posso vê-las de longe provocadas por terceiros.

Bom mas ontem estive com pessoas. E à noite quando me deitei pensei “Sim senhor, afinal estar com elas é quase tão bom como vê-las de longe!” e senti uma grande satisfação.

Depois sonhei. Sonhei que estava à entrada de um grande cinema, qualquer coisa como um S. Jorge. Paguei bilhete, entrei e sentei-me. O filme era desinteressante, sem vida, sem grandes efeitos especiais, alguns dramas da vida real mas sem grande impacto, demasiado óbvio. Pensei: “O realizador é português, de certeza…”. O filme continuou, mas sempre com poucas personagens que passavam rapidamente, sem acrescentar nada e sempre à distância. E terminou a meio, sem nenhuma mensagem especial, sem nenhum sentido. Pensei: “Que raio! Nem pela meia dúzia de actores valia a pena…” mas havia ali qualquer coisa… De repente apercebi-me que era o meu filme, toda a minha vida a passar diante dos meus olhos (que cliché!).

Não reparei na classificação, mas a verdade é que criticada de forma objectiva não tem ritmo, não tem acção, não tem drama, não tem comédia, não tem uma bonita fotografia nem um boa banda sonora. E acima de tudo não há personagens de jeito, são demasiado superficiais, os diálogos são todos conversas de circunstância. Definitivamente, não recomendo. Por isso, se algum dia no mundo dos sonhos encontrarem um S. Jorge tenham muita atenção ao conteúdo do filme não vão vocês ver o meu filme, por engano!

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Be Famous!

Junho 1, 2007

Come one, come all! Be famous!

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Volatilidades

Abril 19, 2007

Acabou.

Vou sentir a tua falta agora que me deixaste, sem possibilidade de regresso – como disseste.

Falta do teu sorriso fácil, da forma bon vivant como encaravas a vida, da maneira como tornavas pequenas coisas em cruzadas pessoais de grandes proporções. Até o teu ressonar leve ao meu lado a cada noite e a maneira rabugenta como reagias se por alguma razão te acordava (ou tentava acordar).

Mas acima de tudo vou sentir a falta do teu cheiro, do teu perfume alfazema que parecia impregnar tudo o que mexias ou todos os sítios por onde passavas.

Cada vez que eras bruto comigo, nas tuas intermináveis crises existencialistas, ou que davas facadinhas na nossa relação (eu sei que davas – mas agora de que importa?) bastavam algumas sensações olfativas para apaziguar os meus animos. Uma pequena inalação e a guerra, que parecia prestes a rebentar, transformava-se em paz.

Lembro-me perfeitamente daquela viagem que fizeste, “de serviço” como ma justificaste, e de como agonizei na cama, a sentir o teu aroma cada vez mais ausente. Cada vez mais diluído noutros que nada para mim significavam, podendo apenas esperar que voltasses para o reforçar. Fechar os olhos e imaginar-te perto de mim outra vez.

Essa foi das piores dores da minha vida. Mas agora, já nem a imaginação me vale.

Sei que nunca mais voltarás para mim, porque não te mereço, talvez…

O mundo torna-se mais pálido. Já nada me interessa muito aqui. As pessoas? As cores? As flores (com o seu oculto significado de renovação – nada mais do que cinismo de hoje e de sempre)?

Trocava tudo isso por uma última inalação da TUA alfazema (tentei procurar a tua colónia, mas sem ti era apenas o que era – uma mezcla de extractos vegetais com alcoól sem qualquer significado).

Olho em volta.

Acho que mais vale ir-me embora. Estar aqui parada não me está a fazer melhor, nem vai adiantar nada.

Inspiro uma última vez, tentando detectar alguns traços de ti.

Inspiro uma última vez numa tentativa de te levar comigo, de levar comigo esse gás que te tornaste na minha memória.

Inspiro uma última vez, e volto as costas ao forno crematório.

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Páscoa!

Abril 9, 2007

Sou só eu que tenho a impressão de que a Páscoa está a tomar maiores proporções do que tinha? Não. Conheço mais alguém que também acha.

Provas concretas? Mais concreto do que receber mensagens (muitas!) sobre coelhinhos, ovos, amêndoas e desejos de bom dia comemorativo, acho que não há.

Depois houve os ovos de chocolate de tudo quanto era herói da criançada, desde a Kitty até à Estrelinha (!). E, claro, postos à venda e publicitados pelo menos um mês antes do dia que marca o final da Quaresma.

Na Quaresma sim, deviam enviar-se mensagens de incentivo ao jejum num jeito de “Aguenta aí que já só faltam 29dias 15 horas 23 minutos e 6 segundos”. Mas isso merecia outro texto só dedicado ao assunto de quantos dos que comemoram a Páscoa com fervor realmente jejuam durante os 40 dias anteriores…

Voltando ao assunto, desta vez resolvi deixar-me ir com a corrente, para contrariar o meu “eu do contra”. Não recebi nenhum ovo (o da Pucca é que tinha sido…), mas entrei no espírito. A Páscoa o que é afinal? É um renascer. É um começar de novo depois da penitência pelos pecados cometidos no passado. É, no fundo, um momento de viragem na vida de qualquer cristão, qual ovinho que eclode e deixa sair da casca um lindo pintainho (ou lagartinho, como preferirem…).

Por isso, e como não costumo fazê-lo no início do novo ano, decidi fazer uma resolução no início desta nova etapa que é: a partir de agora vou fazer as resoluções de ano novo na Páscoa! Parece-me mais lógico. Temos 40 dias para pensar o que precisamos de mudar e depois disso comemos chocolates até rebentar, mas com resoluções feitas com ponderação e sem alcool à mistura.

Só tenho pena de não ter tido tempo para me lembrar de outras resoluções… Mas outras Páscoas virão. Afinal, Páscoa é quando o homem quiser!

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Wishlist

Abril 2, 2007

Ontem foi dia 1 de Abril.

Não contei mentira nenhuma. Ninguém me enganou a mim. Aliás só me apercebi que dia era à noite quando já não havia muito a fazer.

Parece ser um facto sem importância, mas a verdade é que a minha criança interior (ou o que restava dela) foi oficialmente declarada morta. Estou prestes a fazer um quarto de século e parece-me que afinal tenho um século e um quarto. Um quarto escuro onde me escondo. Um quarto que me aconchega e me protege, mas que me impede de ver o mundo lá fora. Enfim um quarto interior sem uma vista nem uma janela indiscreta.

Estou a precisar de recuar no tempo. Recuar até um momento do qual já não tenho memória. E recomeçar. Aprender tudo outra vez. Experimentar tudo outra vez. A cada dia ser uma coisa nova e ter um objectivo novo. Querer ir à lua. Prometer um banquinho num jardim.

Mas é complicado, certo? Só um pouquinho…

Por isso, neste meu aniversário gostava de receber um parque para poder brincar à vontade e se cair tenho a areia que me protege. E luz, muita luz e ar puro.

Just a playground please…

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A história de um fenómeno – ou o início e declínio de uma moda

Março 20, 2007

Um dia, “zé”, aquele fulano carismático que todos conhecemos de uma forma ou de outra, acorda de manhã com uma vontade súbita de passear. Como o Sol está forte lá fora, e os bonés estão todos de molho ou demode, decide recorrer ao seu par de boxers favorito – com desenhos de sorvetes multicolores – e envergá-los orgulhosamente na cabeça.

Ao chegar café onde todos os dias costuma comer um bolo de arroz e um galão, o Sr. Miguel, após lhe aviar o “costume” pergunta-lhe o porquê de semelhante gesto. Zé revela então que o simbolismo dos boxers na cabeça remonta a toda a sexualidade metafísica produzida pela cabeça e que nos controla. O usar roupa interior, que de uma forma convencional protege as partes íntimas na cabeça é uma forma de luta contra a opressão gonadal e um grito do ipiranga moderno contra toda uma indústria focalizada em nos fazer sentir inadequados para uma relação.

Miguel pondera e repara que curiosamente este acto isolado está a atrair a atenção de muita da sua clientela, e que zé até já conseguiu meter conversa com algumas clientes, entre elas a Idalete, uma solteira trintona por quem Miguel se sente atraído, mas nunca conseguiu maior intimidade do que segredar-lhe que os croquetes que ela pediu eram d’ontem. Zé, relaxado por ter conseguido explicar o porquê dos boxers, sem ter de admitir que não lavava a sua roupa a tempo e horas, seguiu no seu passeio e transmitiu os seus ensinamentos a todas as pessoas que o interpelaram.

No dia seguinte, o boné favorito de Zé, um clássico azul com um coração e as letras NYC (“New York City” – onde nunca tinha estado) já não estava encardido, e então resolveu arrumar os seus boxers na gaveta e sair com o seu look regular.

Ao chegar à sua porta da rua é interpelado pelo carteiro, que lhe entrega a sua correspondencia com um sorriso, e comenta como foi porreiro os lagartos terem dado uma coça nos dragões. Zé não lhe consegue responder porque não consegue tirar os olhos do bonito par de trousses às bolinhas na sua testa.

 A caminho do trabalho, zé passa por 2 bancas de venda de tangas ergonómicamente corrigidas para um maior conforto da testa, e boxers com suportes interiores em fibra para não estragar o penteado e no autocarro 125 ouve duas teenagers a comentar como uma boysband genérica tinha criado este fenómeno, e até tinham algumas músicas sobre isto.

 Perto da entrada da fábrica está Carlos, amigo de infancia de Zé a quem este já tinha salvo a vida num acidente na ribeira, que tapava a testa, orgulhosamente, com um conjunto de ceroulas laranja. Ao ver Zé a olhar de lado para o seu estaminé, perguntou-lhe o que é q ele tinha contra os “roupainterióticos” – a tribo urbana mais cool do momento.

Zé, sem querer parecer bota de elástico disse: “ah, eu já fui um roupainterióticos quando a temática ainda era pura, agora isso é só para a carneirada imitadora. O que a malta realmente cool usa agora são palmilhas penduradas atrás das orelhas e tudo o resto é para mariquinhas com mania”.

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Bem vs. Mal?

Março 1, 2007

Recebam este cartão e ponham uma cruz na linha da vida: 

  • A Clara era uma menina bem comportada, acostumada às suas coisas e cuja vida social não era frenética (o que para ela era tanto melhor). Certo dia, chegou um pedido de ajuda velado em forma de convite. A Clara é comodista e a vida social agitada não lhe agrada e decide não aceder ao convite e continua a sua vidinha do costume.

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ps. – para quem não percebeu isto é uma referência ao filme Donnie Darko.

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Betty Lovescraft

Fevereiro 27, 2007

Toda a gente tem um hobbie. Uns têm caezinhos aos quais vestem roupinha, outros tiram fotografias de personagens estranhos, outros ainda ouvem música até ficarem surdos. Mas uma coisa que todos têm em comum – pelo menos para a maioria silenciosa de procrastinadores – é que a produtividade do hobbie aumenta quando as responsabilidades aumentam.

Sim, é uma verdade de La Palice. Suponho que a definição de hobbie inclua “actividade que agrada ao executor” e tendo em conta que muitas vezes só queremos fugir de determinadas situações, o hobbie (sim, vou repetir a palavra muitas vezes, podem entreter-se a contar – Olha! um novo hobbie!) é, por assim dizer, o escape ideal.

O maior perigo é quando julgamos que de facto poderemos viver do hobbie! E hobbies produtivos como crafts são muito dados a esse tipo de pensamentos. Mas para quem já foi, ou conhece crafteiros, sabe que a maior parte das vezes as coisas que são feitas (e bem feitas!) não têm em conta utilidade, e muito menos terão em vendabilidade, mas tão só o inigualável prazer de obra feita. No entanto, porque não passar a vida a fazer camisolas de tricot? Porque não ficar em casa a produzir em vez de ir para o emprego entediante? São perguntas que assaltam todos os dias crafteiros por todo o país e mesmo pelo mundo fora!

Eu sou uma crafteira, mas sei os meus limites e quando sonho com novelos de lã gigantescos a rebolarem, qual calhau redondo num Indiana Jones, sei que o melhor é parar.

Pumpkin Lg

E o gostinho de ver o projecto acabado…? É como um vício: “Porque é que ninguém me disse que isto ficava para sempre?”

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Cada fim é um início

Fevereiro 23, 2007

Estou farto de blogs, talvez pelo meu feitio.

Por sentir uma obrigação formal de dar continuidade ao que criei, criando-me muitas vezes uma ansiedade de arranjar conteúdos para partilhar com os restantes amigos do binário, de retirar algo de extremamente interessante do meu dia-a-dia que justifique uma, de outro modo patética, existência.

Assim sendo nasceu este espaço. Encerrei todos os outros sitios por onde escrevia para juntar-me a este novo projecto, onde realidades com pitadinhas de ficção se cruzam com ficções com pitadinhas de realidade.

Quais são quais não vos sei dizer, ou não quero. É bom que alguma coisa não seja gratuita, neste mundo de facilitismos a que nos entregamos de alma e coração.

Ficam então formalmente convidados a deixar-se ficar, a beber mais um copo. Pode ser uma experiência interessante, e lembrem-se:

 Teremos sempre Paris.